As coisas reviradas, tudo fora do lugar. Gavetas pelo chão, vasos quebrados, como se um vendaval tivesse passado por ali. Corri até o andar de cima, gritava por ela... Mas não houve resposta. Nada lá em cima estava fora do lugar, a única coisa que faltava era mamãe!
Senti um arrepio, uma dor rasgando meu peito... Toda minha corrida havia sido em vão.
Eu não tinha coragem para dar mais nenhum passo, como se todo meu cansaço recaísse sobre minhas costas naquele único instante que parecia eterno.
Senti Nick passando rapidamente por mim, e percebi que ele vasculhava tudo procurando por algo. Ouvi que ele falava com alguém, mas eu não estava totalmente presente ali. Era quase que como se eu pudesse observar fora de mim, algumas cenas antigas, como em um filme.
Eu a via. Seu lindo rosto, sempre tão calmo e sereno, por vezes inchado de tanto chorar... Mas sempre nos dando seu sorriso. Eu revivi cada conselho, cada abraço... Sentia as lágrimas que começavam a rolar, me sentia fraca. Desejei desesperadamente tê-la comigo agora pra me acalmar. Desabei chorando, e quando senti Nick se aproximar para me abraçar, calei.
Essa não era a hora de ser fraca, esse não era o momento de parar. Se ela não estava aqui, é porque eu ainda tinha alguma chance de encontrá-la. E jurei a mim mesma que faria isso á qualquer custo, pelos meus irmãos... Por todas as brigas que causei, e por tudo que ela fez por mim, pelo segredo que ela suportou todos esses anos.
“Nick, não é hora de sentimentalismo. Como um bom investigador me diga: O que fazemos agora?”
Ele me olhou espantado, podia sentir uma mudança repentina, uma força que aparecia em meus olhos, que acendia como se fosse uma chama queimando, sendo alimentada por meu desejo.
Ele havia percebido que a dimensão daquele caso estava se alargando, e mesmo percebendo o perigo, entendeu que não seria capaz de me afastar daquilo.
“Ouça Sam, com a experiência que tenho posso dizer com certeza que você precisa se acalmar e pôr a cabeça no lugar primeiro...”
“Nick, - Eu o interrompi. – eu me sinto calma. Quero que me diga o que fazer agora. Não me trate como criança, você sabe que eu não sou. Diga, qual o primeiro passo. Não quero perder tempo, ok!”
Sam suspirou, seus ombros relaxaram. Ele fechou os olhos por alguns segundos, tentando “engolir” minhas palavras tão frias, e que para ele pareceram surpreendentes. Olhou em volta, e parou seus olhos em mim.
“Bem, o primeiro a fazer é vasculhar o local. Procurar pistas, qualquer indício de quem esteve aqui. Mas temos que tentar modificar o mínimo de coisas possíveis! Tente observar sem mexer em nada!”
Apesar de sentir ainda aquele buraco e aquela sensação de derrota, eu tentei me concentrar. Pensei em como as coisas estariam antes, como de costume.
A cama e o restante do quarto estavam em perfeita ordem. Impecável, como sempre, mamãe mantinha tudo organizado. Então imaginei que nada tivesse ocorrido por ali, já que o maior sinal da passagem de alguém estava na sala.
Nick falava no telefone, imagino que com algum policial pelo tipo de vocabulário que usava. Confesso que não entendi quase nada!
Andei com calma em direção ás escadas, com olhar atento em tudo ao meu redor. Desci os degraus ainda observando, vi algo branco... Um lenço mal dobrado no chão!
“Nick, eu encontrei algo! O que faço?”
Nick veio até o meu lado, pegou seu celular e tirou uma foto. Depois pegou o lenço, sem perceber nada de anormal, me perguntou se eu via algo.
Eu observei, e vi as inicias K.S., e logo soube dizer á quem pertencia aquilo.
“Kevin Sailer, meu pai.”
Uma garota buscando seu rumo, seu destino. Uma família que tenta entrar nos eixos. Uma história com início, mas o fim... ainda buscamos.
domingo, 27 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Capítulo 22 - Revelações
“Eu não sei se quero andar ao lado de um completo desconhecido!” As minhas palavras eram ásperas, duras. Talvez usando esse tom, eu pudesse esconder todo o medo que sentia por não saber mais o que pensar de Nick.
“Sam, eu nasci aqui! Agora venha, vou te contar toda a história dessa vez. Eu prometo!” Eu via nos olhos dele um pouco de medo. Era como se ele estivesse olhando para algo frágil, prestes a cair no chão! Mesmo fazendo o possível para disfarçar, eu ainda podia ver!
Os primeiros passos que dei foram lentos, mas eu tentava me concentrar no principal objetivo: Minha casa, minha mãe! Logo meus pés ficaram firmes, e meus ouvidos atentos. Nick tinha uma história para contar!
“Ok Nick, pode começar então!” Ele me olhou, percebeu que a minha postura com ele havia mudado. Então prosseguiu.
“Minha mãe engravidou muito nova, e eu nunca soube quem era meu pai, com certeza um canalha qualquer. Eu vivi em Dows até os meus sete anos, depois disso fui estudar em uma escola interna, bem longe desse lugar!”
“Onde?” - Eu não consegui conter minha curiosidade.
Nick riu, e percebeu que eu ainda era exatamente a mesma!
“Muito longe, na Europa! Mas o fato é que conheci muitas pessoas desse lugar, mas imagino que não sei nada sobre você porque talvez nem tivesse nascido ainda querida!”
Ele me olhou com ternura, como se dissesse ”está vendo, eu sou legal!”. Realmente, ele não precisava de muito pra me desarmar. Samantha, pare com isso! Só posso estar louca.
“Qual é a sua idade Nick?”
“Vinte e três anos Sam!”
“Oh, certo! Então se você foi embora quando ainda tinha sete anos, eu já havia nascido á dois anos!” Seguiram-se risos, mas logo eu parei. Estávamos na esquina da minha casa.
Saí correndo, tinha a sensação de que minhas pernas não conseguiam acompanhar o ritmo que eu queria! Quando cheguei à porta, relutei por um momento. Aquilo tudo parecia tão irreal, todas essas coisas acontecendo em tão pouco tempo... Eu tinha quase que medo de abrir!
Girei a maçaneta, estava aberta, entrei rápido e senti Nick logo atrás. Minha voz sumiu quando olhei a cena á minha frente! Foi a voz de Nick que traduziu o que eu não consegui exclamar.
“O que aconteceu aqui!?”
“Sam, eu nasci aqui! Agora venha, vou te contar toda a história dessa vez. Eu prometo!” Eu via nos olhos dele um pouco de medo. Era como se ele estivesse olhando para algo frágil, prestes a cair no chão! Mesmo fazendo o possível para disfarçar, eu ainda podia ver!
Os primeiros passos que dei foram lentos, mas eu tentava me concentrar no principal objetivo: Minha casa, minha mãe! Logo meus pés ficaram firmes, e meus ouvidos atentos. Nick tinha uma história para contar!
“Ok Nick, pode começar então!” Ele me olhou, percebeu que a minha postura com ele havia mudado. Então prosseguiu.
“Minha mãe engravidou muito nova, e eu nunca soube quem era meu pai, com certeza um canalha qualquer. Eu vivi em Dows até os meus sete anos, depois disso fui estudar em uma escola interna, bem longe desse lugar!”
“Onde?” - Eu não consegui conter minha curiosidade.
Nick riu, e percebeu que eu ainda era exatamente a mesma!
“Muito longe, na Europa! Mas o fato é que conheci muitas pessoas desse lugar, mas imagino que não sei nada sobre você porque talvez nem tivesse nascido ainda querida!”
Ele me olhou com ternura, como se dissesse ”está vendo, eu sou legal!”. Realmente, ele não precisava de muito pra me desarmar. Samantha, pare com isso! Só posso estar louca.
“Qual é a sua idade Nick?”
“Vinte e três anos Sam!”
“Oh, certo! Então se você foi embora quando ainda tinha sete anos, eu já havia nascido á dois anos!” Seguiram-se risos, mas logo eu parei. Estávamos na esquina da minha casa.
Saí correndo, tinha a sensação de que minhas pernas não conseguiam acompanhar o ritmo que eu queria! Quando cheguei à porta, relutei por um momento. Aquilo tudo parecia tão irreal, todas essas coisas acontecendo em tão pouco tempo... Eu tinha quase que medo de abrir!
Girei a maçaneta, estava aberta, entrei rápido e senti Nick logo atrás. Minha voz sumiu quando olhei a cena á minha frente! Foi a voz de Nick que traduziu o que eu não consegui exclamar.
“O que aconteceu aqui!?”
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Capítulo 21 - Surpresa
“Obrigada Nick! Não sei o que eu faria se não tivesse alguém comigo agora. Provavelmente estaria muito perdida!” Essas palavras saíram num impulso tão involuntário, que eu me espantei quando percebi que já havia dito.
Ele me olhou, com um pouco de confusão, talvez não esperasse tal agradecimento.
“Por nada Sam. Esse é o meu dever. Mas sabe...tem uma coisa que eu queria lhe dizer!”
Meu coração disparou e meus olhos encheram de água. O que é isso, o que está acontecendo? E essa borboleta idiota que não para de bater asas no meu estômago. Fale logo Nick, antes que essa angústia me consuma (eu pensei). “Sim, o que é?” - Foi só o que consegui formar em fala.
“Você é uma garota tão diferente das tantas que conheci. Vejo que sempre procura ver além das pessoas, procura ver o fundo das almas, e não somente o que aparentam! Confesso que me impressionei com isso. Você chamou minha atenção, desde a primeira vez em que nos vimos. Mas...”
Percebi que Nick procurava palavras, ele parecia ter medo do que ia falar. Mas eu agora olhava mais fundo suas expressões, talvez por não saber se ele estava sendo mesmo o “Nick” ou se estava sendo o “Investigador Profissional”.
O apito do trem soou, o que significa que é a nossa parada! Eu olhava para Nick suplicante para que ele concluísse aquela frase.
“Bem é aqui que descemos, é melhor conversarmos depois, temos muito o que fazer não é Sam!”
Foi o que eu imaginei! Talvez seja melhor não saber o que ele diria. O que me importa agora é ver mamãe, nem acredito que já estamos quase chegando.
Descemos do trem em silêncio, não havia bagagem, pois eu só levava minha mochila, assim como Nick. Ele andava cuidadosamente atrás de mim, imaginei que fosse pelo fato de não conhecer a cidade. Confesso que gostei da sensação de estar no meu “território”. Ao menos aqui eu teria a certeza de saber o que estava fazendo, e pra onde estava indo .
“Sam, a sua casa é perto daqui? Do contrário já podemos chamar um táxi!” Nick falava num tom calmo, me parecia calmo demais.
“Podemos ir andando, é bem próximo. E também só há a família Thompson que faz esse tipo de serviço, até que um deles chegue aqui já estaremos na minha casa!” Meu comentário foi seguido de risos tímidos, o momento não permitia mais do que isso. Sentia minhas pernas trêmulas, por causa do cansaço, mas principalmente pela ansiedade em ver logo mamãe!
“Sam, eles ainda são os únicos que têm táxi aqui em Dows? Da última vez que estive aqui, era o Sr. George Thompson quem comanda tudo! Ele ainda está vivo?”
Aquilo que Nick estava dizendo passou como um tiro por meus ouvidos! Como ele conhecia a cidade, e não conhecia á mim!?
“Nick, você já esteve aqui? Como pode ser...” Eu não encontrava palavras, fiquei parada na calçada, e ele me olhava como se acabasse de lembrar que isso era um segredo!
“Sam vamos andando, por favor! Eu vou te contar mais algumas coisas sobre mim.”
Ele me olhou, com um pouco de confusão, talvez não esperasse tal agradecimento.
“Por nada Sam. Esse é o meu dever. Mas sabe...tem uma coisa que eu queria lhe dizer!”
Meu coração disparou e meus olhos encheram de água. O que é isso, o que está acontecendo? E essa borboleta idiota que não para de bater asas no meu estômago. Fale logo Nick, antes que essa angústia me consuma (eu pensei). “Sim, o que é?” - Foi só o que consegui formar em fala.
“Você é uma garota tão diferente das tantas que conheci. Vejo que sempre procura ver além das pessoas, procura ver o fundo das almas, e não somente o que aparentam! Confesso que me impressionei com isso. Você chamou minha atenção, desde a primeira vez em que nos vimos. Mas...”
Percebi que Nick procurava palavras, ele parecia ter medo do que ia falar. Mas eu agora olhava mais fundo suas expressões, talvez por não saber se ele estava sendo mesmo o “Nick” ou se estava sendo o “Investigador Profissional”.
O apito do trem soou, o que significa que é a nossa parada! Eu olhava para Nick suplicante para que ele concluísse aquela frase.
“Bem é aqui que descemos, é melhor conversarmos depois, temos muito o que fazer não é Sam!”
Foi o que eu imaginei! Talvez seja melhor não saber o que ele diria. O que me importa agora é ver mamãe, nem acredito que já estamos quase chegando.
Descemos do trem em silêncio, não havia bagagem, pois eu só levava minha mochila, assim como Nick. Ele andava cuidadosamente atrás de mim, imaginei que fosse pelo fato de não conhecer a cidade. Confesso que gostei da sensação de estar no meu “território”. Ao menos aqui eu teria a certeza de saber o que estava fazendo, e pra onde estava indo .
“Sam, a sua casa é perto daqui? Do contrário já podemos chamar um táxi!” Nick falava num tom calmo, me parecia calmo demais.
“Podemos ir andando, é bem próximo. E também só há a família Thompson que faz esse tipo de serviço, até que um deles chegue aqui já estaremos na minha casa!” Meu comentário foi seguido de risos tímidos, o momento não permitia mais do que isso. Sentia minhas pernas trêmulas, por causa do cansaço, mas principalmente pela ansiedade em ver logo mamãe!
“Sam, eles ainda são os únicos que têm táxi aqui em Dows? Da última vez que estive aqui, era o Sr. George Thompson quem comanda tudo! Ele ainda está vivo?”
Aquilo que Nick estava dizendo passou como um tiro por meus ouvidos! Como ele conhecia a cidade, e não conhecia á mim!?
“Nick, você já esteve aqui? Como pode ser...” Eu não encontrava palavras, fiquei parada na calçada, e ele me olhava como se acabasse de lembrar que isso era um segredo!
“Sam vamos andando, por favor! Eu vou te contar mais algumas coisas sobre mim.”
sexta-feira, 25 de março de 2011
Capítulo 20 - Volta para Dows
Nick disse que desde sempre teve o desejo de ajudar as pessoas, dedicando á isso toda sua vida. Por isso ele escolhera entrar para a militância. O desejo se tornou mais real depois de um acampamento realizado por jovens combatentes, onde ele, calouro, sentiu ainda mais a necessidade de iniciar-se nessa carreira. Ele se especializou na área de investigação, aprendeu técnicas e truques para lidar com os mais variados tipos de pessoas. Realmente isso explicava a grande capacidade que ele tinha para ludibriar quem quer que fosse. E conforme ele ia contanto, eu lembrava-me de algumas horas atrás, quando ele estava comigo, á mesa. Lembrava-me de tudo que conversamos, será que ele foi realmente sincero no que disse, ou eu era apenas mais uma pessoa que ele tentava enganar para tirar informações suficientes para seu "novo caso". Pensar nessa possibilidade me deixou muito incomodada. Me ocorreu que talvez eu estivesse próxima demais de alguém que talvez não fosse tão amigável. Mas o que eu não conseguia entender, era porque o fato de ele querer me usar, ou talvez mentir pra mim, me deixava não só desconfortável, mas um tanto triste.
Deixei minhas conclusões para mais tarde e voltei a prestar atenção ao que Nick dizia. Ele foi comprar um café, e me ofereceu. Eu aceitei.
Quando ele saiu, eu fui até o banheiro, e vi o quanto me parecia com um zumbi, depois de tanto tempo sem dormir direito. Lavei o rosto e arrumei meus cabelos, procurei na mochila alguma coisa pra disfarçar minha olheiras. Fiquei imaginando a que conclusão chegavam as pessoas, ao me verem naquele estado. Eu ri sozinha.
Quando voltei, Nick já estava lá. O cheiro do café me atraiu.
"Sam, venha logo! O seu já está quase frio."
Sentei novamente.
"Beba logo, já estamos quase chegando. Você tem algum casaco mais quente? Ainda é madrugada e vai estar frio quando descermos do trem!"
"Não, nem pensei nisso quando coloquei as roupas na mochila!"
Ele, gentilmente, me deu seu casaco. Eu aceitei, sabia que se me opusesse ele me faria vestir a força. Preferi poupar esse esforço.
Me contentava saber que mamãe estava muito próxima agora. Eu a levaria dali de qualquer jeito, por mais que eu soubesse que era loucura deixar tudo para trás, a casa, todas as coisas que ela construiu, mas era impossível deixá-la ali. Pelo menos agora eu não teria que fazer isso sozinha.
Deixei minhas conclusões para mais tarde e voltei a prestar atenção ao que Nick dizia. Ele foi comprar um café, e me ofereceu. Eu aceitei.
Quando ele saiu, eu fui até o banheiro, e vi o quanto me parecia com um zumbi, depois de tanto tempo sem dormir direito. Lavei o rosto e arrumei meus cabelos, procurei na mochila alguma coisa pra disfarçar minha olheiras. Fiquei imaginando a que conclusão chegavam as pessoas, ao me verem naquele estado. Eu ri sozinha.
Quando voltei, Nick já estava lá. O cheiro do café me atraiu.
"Sam, venha logo! O seu já está quase frio."
Sentei novamente.
"Beba logo, já estamos quase chegando. Você tem algum casaco mais quente? Ainda é madrugada e vai estar frio quando descermos do trem!"
"Não, nem pensei nisso quando coloquei as roupas na mochila!"
Ele, gentilmente, me deu seu casaco. Eu aceitei, sabia que se me opusesse ele me faria vestir a força. Preferi poupar esse esforço.
Me contentava saber que mamãe estava muito próxima agora. Eu a levaria dali de qualquer jeito, por mais que eu soubesse que era loucura deixar tudo para trás, a casa, todas as coisas que ela construiu, mas era impossível deixá-la ali. Pelo menos agora eu não teria que fazer isso sozinha.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Capítulo 19 - A União dos Fatos
“Samantha, você lembra do bilhete que foi encontrado com Chris?”.
Claro, o bilhete! Foram tantos acontecimentos, que esse fato me passou batido!
“Nick, o que tinha lá?”. Ele puxou um pequeno papel amassado do bolso, e me entregou.
Dessa vez nós demos só um aviso. O dinheiro que pegamos de uma das cartas não paga nem o início da dívida daquele porco. Pensem bem, ou conseguem logo a grana, ou todos vão pagar pelas idiotices dele. Decidam...
Mas é claro, os donos do cassino! Por isso estavam tão bem vestidos naquela noite, por isso papai queria tanto dinheiro. Como pude deixar que isso tudo me escapasse!
Contei a Nick que eu conhecia um deles, e que sabia o porquê da cobrança da dívida. Nick disse que já imaginava. Nesse momento, senti um arrepio forte correndo pela minha espinha. Um aperto gigante no coração. Eu lembrei de mamãe lá, sozinha. Com certeza era á ela que eles iriam procurar agora.
“Sam, calma! Eu sei no que você pensou, mas tente ficar calma. Nós entramos em contato com a polícia de Dows e eles procuraram Caroline. Ela está bem, preocupada com os filhos é claro, mas está bem. Por isso eu não te impedi de fugir!”
Incrível, como tudo isso aconteceu, e eu não percebi nada!
Fiquei alguns minutos em silêncio, colocando os fatos em ordem, até que a curiosidade me fez questionar aquele policial.
“Nick, me conte sobre você! Eu já estou mais calma agora que você me falou de mamãe, mas me sinto confusa, como você conseguiu esconder tudo isso tão bem?”
Eu sempre pensei que pudesse ver nos olhos das pessoas seus sentimentos, suas verdadeiras emoções e pensamentos. Mas Nick conseguiu esconder tudo aquilo com tanta naturalidade, que eu já não sabia mais se poderia confiar nele.
Ele respirou fundo.
“Pois bem, agora é a minha vez não é?! Sam, eu percebi que você foi sincera comigo, então vou te contar tudo sobre mim. Vejo que não há motivos para esconder.!”
Ele então começou a falar da sua infância, me contou sobre seus anseios, sobre os sonhos que tinha. Eu ouvi tão atentamente a cada uma de suas palavras, que nem mesmo vi o tempo passar. Ele contava cada fato, cada detalhe e me deixava cada vez mais fascinada a cada vez que sorria. Havia algo diferente nele, e eu queria muito descobrir o que era!
Claro, o bilhete! Foram tantos acontecimentos, que esse fato me passou batido!
“Nick, o que tinha lá?”. Ele puxou um pequeno papel amassado do bolso, e me entregou.
Dessa vez nós demos só um aviso. O dinheiro que pegamos de uma das cartas não paga nem o início da dívida daquele porco. Pensem bem, ou conseguem logo a grana, ou todos vão pagar pelas idiotices dele. Decidam...
Mas é claro, os donos do cassino! Por isso estavam tão bem vestidos naquela noite, por isso papai queria tanto dinheiro. Como pude deixar que isso tudo me escapasse!
Contei a Nick que eu conhecia um deles, e que sabia o porquê da cobrança da dívida. Nick disse que já imaginava. Nesse momento, senti um arrepio forte correndo pela minha espinha. Um aperto gigante no coração. Eu lembrei de mamãe lá, sozinha. Com certeza era á ela que eles iriam procurar agora.
“Sam, calma! Eu sei no que você pensou, mas tente ficar calma. Nós entramos em contato com a polícia de Dows e eles procuraram Caroline. Ela está bem, preocupada com os filhos é claro, mas está bem. Por isso eu não te impedi de fugir!”
Incrível, como tudo isso aconteceu, e eu não percebi nada!
Fiquei alguns minutos em silêncio, colocando os fatos em ordem, até que a curiosidade me fez questionar aquele policial.
“Nick, me conte sobre você! Eu já estou mais calma agora que você me falou de mamãe, mas me sinto confusa, como você conseguiu esconder tudo isso tão bem?”
Eu sempre pensei que pudesse ver nos olhos das pessoas seus sentimentos, suas verdadeiras emoções e pensamentos. Mas Nick conseguiu esconder tudo aquilo com tanta naturalidade, que eu já não sabia mais se poderia confiar nele.
Ele respirou fundo.
“Pois bem, agora é a minha vez não é?! Sam, eu percebi que você foi sincera comigo, então vou te contar tudo sobre mim. Vejo que não há motivos para esconder.!”
Ele então começou a falar da sua infância, me contou sobre seus anseios, sobre os sonhos que tinha. Eu ouvi tão atentamente a cada uma de suas palavras, que nem mesmo vi o tempo passar. Ele contava cada fato, cada detalhe e me deixava cada vez mais fascinada a cada vez que sorria. Havia algo diferente nele, e eu queria muito descobrir o que era!
sexta-feira, 11 de março de 2011
Capítulo 18 - Desabafo
Eu já estava impaciente, eram 01h20min e Nick ainda estava parado lá. Esperei tanto tempo, nem sabia mais o que inventar para fazer. De repente ouvi ruídos vindos do rádio da viatura, Nick foi até lá e falou alguma coisa, voltou, deu uma última olhada para a janela, como se buscasse alguém. Entrou no carro e saiu. Essa era minha chance!
Desci as escadas ás pressas, e passei correndo pela porta dos fundos. Corri o mais rápido que pude em direção á estação, eu já conhecia o caminho, não era muito longe. Alguns instantes depois eu já estava cansada, então parei de correr, observei atentamente para me certificar de que ninguém tivesse me visto. Continuei andando, agora já estava perto da estação, eu compraria as passagens e pegaria o primeiro trem até Ames, logo estaria com mamãe, e essas dúvidas iriam acabar. Cheguei á estação, bastante vazia como era de se esperar. Não pude deixar de lembrar da cena horrível da noite anterior, tentei afastar esse pensamento. Subi no trem já com as passagens e me sentei sozinha. Minha mochila era pequena então coloquei-a no colo, comecei a pensar no que eu estava fazendo, o que será Tia Mad ia pensar, será que ela ia encontrar o bilhete colado em minha porta. E Alice, como iria se sentir sem nenhum de nós dois por perto, nós que sempre a protegemos, agora largamos ela sozinha em meio á esta tempestade de acontecimentos. Eu já estava quase perdida em meus pensamentos quando percebi que alguém sentou ao meu lado. Era Nick.
“Eu tinha certeza de que você queria fugir, só não conseguia imaginar o porquê! Mas teremos bastante tempo até chegar em Ames não é?!” Ele disse num tom divertido, nem parecia irritado pela minha fuga, mas sim, parecia bastante curioso. Eu não sabia o que pensar, acho que fiquei pálida.
Demorei um pouco para pensar no que dizer, e ele esperou pacientemente sem dizer uma palavra, parecia que ouvia meus pensamentos, era como se ele entendesse a minha confusão e soubesse que eu precisava de um tempo pra reorganizar as ideias. Resolvi então que ele deveria saber exatamente a verdade. O trem começou a andar, e eu então comecei a contar á ele tudo, desde o início. Contei o porquê de nossa saída de Ames, e também lhe falei sobre as cartas que nunca chegaram. Disse á ele que conhecia um dos homens daquela noite, ele ficou bastante espantado, e demonstrou ter tirado as mesmas conclusões que eu á respeito do envolvimento de papai nessa confusão. Contei á ele um pouco da minha infância e dos meus irmãos, pra que ele entendesse o quanto nossa família havia tentado se reerguer, infelizmente sem sucesso. Acabei contando sobre mim, meus sonhos, minhas frustrações tanto com a família quanto com os garotos. Não sei como ele conseguiu que eu falasse tudo aquilo, sem nem se esforçar. As palavras e as histórias iam saindo de minha boca como se eu visse nele um confidente, eu sentia como se pudesse ter certeza de que deveria confiar nele. Talvez eu estivesse mesmo precisando de alguém pra conversar, e Nick estava sendo um excelente ouvinte.
Desci as escadas ás pressas, e passei correndo pela porta dos fundos. Corri o mais rápido que pude em direção á estação, eu já conhecia o caminho, não era muito longe. Alguns instantes depois eu já estava cansada, então parei de correr, observei atentamente para me certificar de que ninguém tivesse me visto. Continuei andando, agora já estava perto da estação, eu compraria as passagens e pegaria o primeiro trem até Ames, logo estaria com mamãe, e essas dúvidas iriam acabar. Cheguei á estação, bastante vazia como era de se esperar. Não pude deixar de lembrar da cena horrível da noite anterior, tentei afastar esse pensamento. Subi no trem já com as passagens e me sentei sozinha. Minha mochila era pequena então coloquei-a no colo, comecei a pensar no que eu estava fazendo, o que será Tia Mad ia pensar, será que ela ia encontrar o bilhete colado em minha porta. E Alice, como iria se sentir sem nenhum de nós dois por perto, nós que sempre a protegemos, agora largamos ela sozinha em meio á esta tempestade de acontecimentos. Eu já estava quase perdida em meus pensamentos quando percebi que alguém sentou ao meu lado. Era Nick.
“Eu tinha certeza de que você queria fugir, só não conseguia imaginar o porquê! Mas teremos bastante tempo até chegar em Ames não é?!” Ele disse num tom divertido, nem parecia irritado pela minha fuga, mas sim, parecia bastante curioso. Eu não sabia o que pensar, acho que fiquei pálida.
Demorei um pouco para pensar no que dizer, e ele esperou pacientemente sem dizer uma palavra, parecia que ouvia meus pensamentos, era como se ele entendesse a minha confusão e soubesse que eu precisava de um tempo pra reorganizar as ideias. Resolvi então que ele deveria saber exatamente a verdade. O trem começou a andar, e eu então comecei a contar á ele tudo, desde o início. Contei o porquê de nossa saída de Ames, e também lhe falei sobre as cartas que nunca chegaram. Disse á ele que conhecia um dos homens daquela noite, ele ficou bastante espantado, e demonstrou ter tirado as mesmas conclusões que eu á respeito do envolvimento de papai nessa confusão. Contei á ele um pouco da minha infância e dos meus irmãos, pra que ele entendesse o quanto nossa família havia tentado se reerguer, infelizmente sem sucesso. Acabei contando sobre mim, meus sonhos, minhas frustrações tanto com a família quanto com os garotos. Não sei como ele conseguiu que eu falasse tudo aquilo, sem nem se esforçar. As palavras e as histórias iam saindo de minha boca como se eu visse nele um confidente, eu sentia como se pudesse ter certeza de que deveria confiar nele. Talvez eu estivesse mesmo precisando de alguém pra conversar, e Nick estava sendo um excelente ouvinte.
Capítulo 17 - Jantar
Quando entrei, Tia Mad estava na cozinha. Ela me olhou com um sorriso no canto da boca, como se soubesse de algo a meu respeito. Eu respondi seu olhar com indagação, ela então se virou e continuou preparando o jantar. Fui até meu quarto, e deixei tudo preparado, sentei-me na escrivaninha, peguei um pedaço de papel e escrevi um bilhete carinhoso á Titia, para que ela não pensasse que eu fui sequestrada ou algo assim. Com certeza ela teria a mesma imaginação de mamãe! Deixei o bilhete em baixo de meu travesseiro, depois escolheria um lugar melhor.
Desci, e fui ajudá-la. Disse que havia conversado com o policial Nick, contei sobre a tarde toda, e comentei que o havia convidado para jantar. Ela me olhou e sorriu.
“Muito bem, parece que temos alguém aqui que está apaixonada!” Aquilo me fez corar, eu sentia meu rosto vermelho.
“É claro que não, eu só quis ser gentil, imaginei o quanto deveria ser entediante passar o dia ali, olhando. Vigiando algo, prestando atenção em qualquer coisa, em uma ameaça que nem sabemos se existe.”
Titia percebeu o quanto fiquei incomodada, e tentou não tocar no assunto, mas eu podia sentir seus risinhos abafados. Eu me prendia ao pensamento de que tudo era pela mamãe.
Depois de pôr a mesa, com um prato á mais, Tia Mad me pediu para chamá-lo. Eu me senti extremamente envergonhada, mas fui, como se nada estivesse acontecendo.
“Nick, o jantar está pronto, gostaria de se juntar á nós?” perguntei tentando ser simpática, e segurando a vontade de sair correndo. Ele abriu seu lindo sorriso, e acenando a cabeça aceitou meu convite.
Entramos, e eu o apontei um lugar á mesa. Ele se sentou, eu percebi que estava um pouco envergonhado- muito compreensível. Alice e Tia Mad sentaram-se de modo que fui obrigada á ficar ao lado de Nick. Eu sabia que da parte de Alice não havia sido intencional, mas Titia sim.
Aos poucos o clima tenso foi se perdendo. Tia Mad, sempre carinhosa, começou a puxar alguns assuntos e logo a conversa estava animada. Quando acabamos o jantar eu me dirigi á cozinha com a louça, e Nick se ofereceu para me ajudar, em troca do jantar maravilhoso, segundo ele. Nick não tinha ideia do que estava fazendo, Tia Mad prontamente aceitou pro mim. Ela e Alice foram para a sala e nos deixaram lavando os pratos. Eu admito, Nick era bonito, mas eu não conseguia pensar em mais nada nesse momento á não ser ir até mamãe trazê-la de volta. Eu nunca fui muito aberta com garotos, na verdade eu nunca tive um namorado. Eu sempre fui considerada rebelde, e isso afastava os “bons partidos”. Mamãe sempre me disse que um dia eu ia encontrar alguém que fizesse meu coração bater mais forte, e minhas mãos suarem frio. Um dia perguntei á ela se sentia isso com o papai, ela saiu chorando e nunca me respondeu.
Nick e eu conversamos pouco, rimos de algumas coisas. Ele era bastante atrapalhado com a louça, era engraçado. Quando acabamos ele se despediu, e voltou ao seu posto perto da varanda. Sentei-me no sofá, de frente para a janela. Eu podia vê-lo, andava de um lado para o outro. Como já estava tarde, não passava ninguém na rua, o que significava que ele não teria a quem observar. Alice me deu boa noite, ela já parecia melhor, logo depois Tia Mad também subiu e resmungou alguma coisa como território livre, eu fingi que não tinha escutado. Continuei observando Nick, percebi que ás vezes ele olhava pela janela, mas ele não podia me ver por causa da cortina, eu mesma só via sua silhueta se movendo de um lado para outro, e percebia os movimentos de sua cabeça olhando pra dentro da casa. Subi até meu quarto, pensando sobre o que Tia Mad havia me dito á respeito de Nick. Isso era loucura.
Desci, e fui ajudá-la. Disse que havia conversado com o policial Nick, contei sobre a tarde toda, e comentei que o havia convidado para jantar. Ela me olhou e sorriu.
“Muito bem, parece que temos alguém aqui que está apaixonada!” Aquilo me fez corar, eu sentia meu rosto vermelho.
“É claro que não, eu só quis ser gentil, imaginei o quanto deveria ser entediante passar o dia ali, olhando. Vigiando algo, prestando atenção em qualquer coisa, em uma ameaça que nem sabemos se existe.”
Titia percebeu o quanto fiquei incomodada, e tentou não tocar no assunto, mas eu podia sentir seus risinhos abafados. Eu me prendia ao pensamento de que tudo era pela mamãe.
Depois de pôr a mesa, com um prato á mais, Tia Mad me pediu para chamá-lo. Eu me senti extremamente envergonhada, mas fui, como se nada estivesse acontecendo.
“Nick, o jantar está pronto, gostaria de se juntar á nós?” perguntei tentando ser simpática, e segurando a vontade de sair correndo. Ele abriu seu lindo sorriso, e acenando a cabeça aceitou meu convite.
Entramos, e eu o apontei um lugar á mesa. Ele se sentou, eu percebi que estava um pouco envergonhado- muito compreensível. Alice e Tia Mad sentaram-se de modo que fui obrigada á ficar ao lado de Nick. Eu sabia que da parte de Alice não havia sido intencional, mas Titia sim.
Aos poucos o clima tenso foi se perdendo. Tia Mad, sempre carinhosa, começou a puxar alguns assuntos e logo a conversa estava animada. Quando acabamos o jantar eu me dirigi á cozinha com a louça, e Nick se ofereceu para me ajudar, em troca do jantar maravilhoso, segundo ele. Nick não tinha ideia do que estava fazendo, Tia Mad prontamente aceitou pro mim. Ela e Alice foram para a sala e nos deixaram lavando os pratos. Eu admito, Nick era bonito, mas eu não conseguia pensar em mais nada nesse momento á não ser ir até mamãe trazê-la de volta. Eu nunca fui muito aberta com garotos, na verdade eu nunca tive um namorado. Eu sempre fui considerada rebelde, e isso afastava os “bons partidos”. Mamãe sempre me disse que um dia eu ia encontrar alguém que fizesse meu coração bater mais forte, e minhas mãos suarem frio. Um dia perguntei á ela se sentia isso com o papai, ela saiu chorando e nunca me respondeu.
Nick e eu conversamos pouco, rimos de algumas coisas. Ele era bastante atrapalhado com a louça, era engraçado. Quando acabamos ele se despediu, e voltou ao seu posto perto da varanda. Sentei-me no sofá, de frente para a janela. Eu podia vê-lo, andava de um lado para o outro. Como já estava tarde, não passava ninguém na rua, o que significava que ele não teria a quem observar. Alice me deu boa noite, ela já parecia melhor, logo depois Tia Mad também subiu e resmungou alguma coisa como território livre, eu fingi que não tinha escutado. Continuei observando Nick, percebi que ás vezes ele olhava pela janela, mas ele não podia me ver por causa da cortina, eu mesma só via sua silhueta se movendo de um lado para outro, e percebia os movimentos de sua cabeça olhando pra dentro da casa. Subi até meu quarto, pensando sobre o que Tia Mad havia me dito á respeito de Nick. Isso era loucura.
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